Incompetência de muitos, fez Maracanã perder metade dos lugares, estacionamento para 500 carros, hotel das delegações e até a geral. E ganhou ares de shopping-center de subúrbio.

Informativo Carlos Lacerda, ANO XI - no 128 - março/abril, 2008

Informativo Carlos Lacerda

O Estádio do Maracanã foi salvo na década de 60, pelo Governo Carlos Lacerda, quando era chamado "a grande lata de lixo", tal seu abandono, os escândalos administrativos e a corrupção que o comiam por dentro, enquanto deteriorava o seu exterior.

Após eleito, em outubro de 1960, Lacerda indicou o engenheiro Emílio Ibrahim, ex-jogador do Fluminense, para tocar a obra de recuperação do Estádio abandonado pelas autoridades que o antecederam.

Atacando as estruturas do grandioso edifício, desde o sub-solo, onde corria um rio que poucos conheciam, sujeira por todos os lados, e até uma prisão para policiais faltosos, em menos de dois anos, todo o Maracanã ganhou sólida estrutura, novamente capaz de receber grande público, como o da final da copa do Mundo de 1950, ultrapassando os cento e setenta mil espectadores.

E grandes jogos como aqueles do Mundial Inter Clubes, envolvendo o Santos e o Milan, em 1963; clássico do Campeonato Carioca e do Torneio Rio-S. Paulo, de saudosa memória.

E mais: o público pagante era melhor tratado do que hoje, pois encontrava kombis na ADEG (Administração dos Estádios da Guanabara), presidida pelo eng. Emílio Ibrahim, em vários bairros da cidade e postos fixos nas estações da Central do Brasil, para a venda antecipada de ingressos, evitando assim os atropelos e as filas nas bilheterias do Maracanã, como ocorre atualmente, além dos famigerados cambistas.

DE 150 MIL À METADE - Inacreditável! Enquanto todos os estádios procuram ampliar sua capacidade de público, dado o interesse crescente pelo futebol, o Maracanã reduziu à metade a oferta de ingressos, perdendo inclusive o título de "maior do mundo". E pasmem: governos de esquerda, que enchem a boca para falar em "povo", em "operários", surrupiaram a geral e seus 25 mil frequentadores, aqueles de menor poder aquisitivo e ampliaram a oferta para as cadeiras e seu público de maior capacidade de compra.

Antes: 90 mil arquibancadas; 35 mil cadeiras e 25 mil geraldinos. Hoje, todo o Estádio reduzido a 75 mil lugares. O Estádio continua grande, mas o público caiu cinquenta por cento.

"LATA DE LIXO" - Ao terminar as obras de recuperação e embelezamento do Estádio, a partir de 1963, o Brasil continuava a possuir o maior Estádio do mundo, e não mais "a maior lata de lixo", como se comentava à época.

Após a derrota do Brasil, no Mundial de 1950, o Maracanã passou a ser sub-utilizado, com os clubes reclamando das altas taxas cobradas, não compensando indicar o Estádio para os seus jogos; só os clássicos, do Campeonato Carioca e alguns encontrols do Torneio Rio-S. Paulo, davam retorno aos cofres dos clubes litigantes.

A corrupção no grande Estádio durou de 1950 a 1960, dez anos de más administrações, dirigentes indicados pelos clubes e atendendo ao compadrismo e à politicagem, sem atender às exigências técnicas do edifício que, aos poucos, se deteriorava a olhos vistos. Ao final de uma década de abandono, era o caos. Caminhões entravam carregados de material de construção, pelo portão principal e não descarregavam, saindo pelo portão lateral, do Derby Cllub, para as obras dos quatros engenheiros que "dirigiam" o Estádio. Descoberto o golpe, Lacerda demitiu os quatro e a partir daí, com a nova administração da ADEG, pôde o Estádio reencontar sua grandeza, recebendo o engenheiro Emílio Ibrahim e o Governo do Estado da Guanabara, todos os elogios da imprensa esportiva, carioca e brasileira.

"GIGOLÔ DO ESTADO" - Mas era importante para Carlos Lacerda, que o Maracanã deixasse de ser "o maior gigolô do Estado" e pudesse, com a venda de cadeiras cativas e o aluguel dos jogos, se tornar independente da tutela estadual.

Quando vereador, em 1947, CL queria o Estádio construído na Restinga de Jacarepaguá, em terreno baratíssimo e com o público servido por linhas da Central do Brasil, mas foi derrotado pelo lobe dos dirigentes e jornalistas esportivos. Queria não só o Estádio, mas uma Vila Olímpica completa- o que acabou acontecendo, em parte para os Jogos Pan-Americanos, do ano passado e que custou bilhões de reais.

Em 1947, Lacerda era chamado o "o inimigo do povo", por Mario Filho, do Jornal dos Sports; vindo a tornar-se, após 1960, o salvador do Estádio do Maracanã, pela magnífica recuperação executada pela ADEG, à frente o engenheiro Emílio Ibrahim e ajudado por sua equipe: Juan Scasso, Miguel Varim, Ulisses Serra e Carlos Campos.

ENCANTAMENTO - A visita de inspeção do governador Carlos Lacerda ao novo Maracanã, após as obras de reforço de suas estruturas e embelezamento, deixou-o encantado, também pelas páginas de elogios de toda a imprensa esportiva, no Rio e em S. Paulo. Lacerda fez visita geral, desde o sub-solo, túnel, vestiários até a parte superior, com as novas e confortáveis cabines de imprensa e TV; hotel das delegações, sala de recepções e demais confortos. Até reforço das marquises do Estádio.

Nos vestiários, embaixo, banheiras indiviiduais para os jogadores, boxes com chuveiros, mesas de massagens, enfermaria, sala-de-imprensa, reservados dos juízes, auxiliares e gandulas. E túneis de acesso ao gramado. No setor médico, além das mesas de massagens e enfermaria, uma sala de oxigenioterapia e boxes com duchas, além de armários individuais e rouparia. Todas as salas com ar condicionado, central.

- Quanto custou tudo isto?

- Cem milhões de cruzeiros - revelou Emílio Ibrahim, para o governador Carlos Lacerda.

Cel. Fontenelle comandou o estacionamento do Maracanã

Coronel Americo Fontenelle"Dou o testemunho vivo da dedicação de Fontenelle à administração pública de nosso Estado, de vez que, na qualidade de dirigente do órgão encarregado da administração dos estádios da Guanabara, no Governo Carlos Lacerda, ao ter a iniciativa de implantar o espaço de estacionamento do Maracanã, com capacidade para 500 veículos" - podendo chegar a 750 veículos - "dele recebi preciosa colaboração na ordenação do Trânsito no entorno daquela praça de esportes, que disciplinou e viabilizou a utilização plena da obra inaugurada, hoje, equivocadamente, desativada. Rendo, portanto, ao cel. Américo Fontenelle, um preito de saudade e de reconhecimento à sua figura extraordinária de administrador, o mais qualificado, competente e exitoso dirigente de Trânsito, com que contou o Rio de Janeiro."

Eng. Emílio Ibrahim (abril, 2008)

Grandes obras

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  • Elevado da Perimetral

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