Depoimentos

Homenagem aos campeões do Torneio Municipal Carioca de 1948

O engenheiro Emílio Ibrahim, que foi o atacante tricolor Emílio, campeão daquela competição, registrou sua lembrança da conquista.

Penso que não destoam da configuração do cenário acolhedor desta nossa comemoração os já embranquecidos e rarefeitos cabelos, que denunciam os meus 91 outonos de vida, a despeito de manter intactas as recordações e as emoções vividas no convívio com os excepcionais jogadores e dirigentes do Fluminense, à época que hoje, saudosos queremos evocar. Na realidade, devemos, Índio e eu, atuais sobreviventes, considerar-nos felizes por ainda determos hoje o privilégio de poder homenagear os companheiros que já celebraram suas bodas com a eternidade, mas que vivem em nossos corações pela saudade.

Permitam-se, pois, traçar um breve histórico dos feitos tricolores daquela época, reverenciando os protagonistas das vitórias do Fluminense, os quais inscreveram seus nomes, de modo indelével, nos anais esportivos de nossa cidade, heróis que cultuamos com desmedido orgulho e merecido acatamento.

Assim é que, com detaque, menciono a marcante conquista, pelo gloriodo tricolor, do Torneio Municipal de 1948, do qual, modestamente, participei. Um feito só equiparado à expressiva vitória do Campeonato Carioca de 1946, ocasião em que o Fluminense se sagrou, brilhantemente, supercampeão.

A vitória inequívoca deveu-se, indubitavelmente, a uma quase integral renovação do elenco, sob o comando do saudoso e competente técnico uruguaio Ondino Vieira, quando a equipe passou a contar com a participação de Castilho e seu reserva Veludo, substituindo Robertinho, como arqueiros; saindo Gualter e assumindo Píndaro, na posição de zagueiro; compondo-se a retaguarda com a entrada de Hélvio, no lugar de Haroldo, e, posteriormente, Pinheiro, e Índio sucedendo a Pascoal; Mirim ocupando a vaga ocorrida com a saída de Telesca, mas, permanecendo Bigode; e, no ataque, Santo Cristo e 109 preencheram a posição de ponta direita, até então desempenhada por Pedro Amorim; Ademir cedendo o lugar a Emílio e Didi, no ataque, também a participação de Rubinho e Juvenal, que juntaram a Simões, Orlando e Rodrigues, que já eram titulares.

Destaque-se, por oportuno, que a promoção ao time principal de jovens, egressos da divisão de base, deu-se com o aproveitamento de Telé, Tite, Robson, João Carlos, Joel e Quincas.

Época de ouro, grandiosa para o nosso querido Fluminense, time “tantas vezes campeão”, como registra o seu hino, clube que eu ainda jovem, aos 13 anos, interno do Colégio Arquidiocesano de Ouro Preto, histórica cidade de Minas Gerais, já o adotara, na qualidade de impernitente torcedor, com a acendrada paixão clubística, exacerbada anos a fora, pelo privilégio de haver integrado seu grande elenco, e tendo como dirigentes, tricolores eméritos, e altamente qualificados, da estirpe de Carlos Nascimento, Dilson Guedes, Hilton Gosling, os quais reverenciamos neste evento, que contou com o apoio da Diretoria do Fluminense, tendo à frente o seu operoso Presidente, Pedro Abad, a quem a gloriosa família tricolor deve um merecido reconhecimento pelos relevantíssimos serviços já prestados ao nosso clube, com a perspectiva de vir a brilhar na esfera da alta direção dos esportes nacionais. Merece significativo registro a contribuição valiosa à excelência do futebol brasileiro pela atuação de muitos daqueles jogadores tricolores, que se dedicam, com êxitos inegáveis, na obtenção de múltiplas e importantes vitórias no cenário mundial do futebol.

E como “tricolor de coração”, confraternizo, por fim, com todos aqui presentes, externando os meus mais ardentes desejos e esperançosos votos de que o Fluminense continue, anos a fora, multiplicando as suas intocáveis conquistas, para gráudio de todos os que amamos e enaltecemos as suas glórias passadas e presentes.

Jogadores no vestiário Reunião no vestiário entre Mirim, Hélvio, Índio, Emílio e Orlando, antes do jogo com o Cruzeiro, vencido pelo Fluminense por 2 a 1. Jogo realizado com portões abertos, em comemoração ao Dia do Trabalhador, em 1 de maio de 1948.

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